quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Presidenta cumpre primeira promessa de campanha

O início da tarde desta quinta-feira (3/2) foi definido pela presidenta Dilma Rousseff como o momento de honrar um compromisso assumido durante a campanha eleitoral. Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), a presidenta anunciou o início da distribuição gratuita de medicamentos contra hipertensão e diabetes por meio do programa Aqui Tem Farmácia Popular, medida que beneficiará mensalmente 960 mil pessoas.

"Eu decidi que é um dever do Estado brasileiro proporcionar a todos as condições de acesso regular e seguro aos medicamentos requiridos. Hoje, no momento em que meu governo completa um mês, eu tenho a satisfação de honrar esse compromisso que eu assumi”, comemorou.

Ao apontar dados referentes às duas doenças, a presidenta enfatizou que desde que tratados, os portadores de diabetes e hipertensão podem levar uma vida normal e ativa e que, nesse sentido, o governo trabalha para que o tratamento não seja interrompido. Além disso, lembrou a presidenta, a distribuição de tais medicamentos por meio da rede de farmácias particulares irá desonerar o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Essas duas doenças prejudicam cada vez mais a saúde de homens e mulheres em nosso país. Em 2009, para a gente ter uma ideia, elas juntas foram responsáveis por 34% do total de óbitos no Brasil. Cerca de 30% da população adulta nem sabe que possui diabetes ou hipertensão”, afirmou.

Após a cerimônia, a presidenta Dilma Rousseff concedeu uma rápida entrevista aos jornalistas e afirmou que “no primeiro mês [de governo] foi muito trabalho e acredito que é uma indicação da quantidade de trabalho que terei nos próximos”.

Portaria

O evento marcou também o anúncio do credenciamento da drogaria de número 15 mil no Aqui Tem Farmácia Popular, que atualmente beneficia, por mês, cerca de 1,3 milhão de pessoas em todo país. Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou a portaria que regulamenta a distribuição gratuita de medicamentos para hipertensão e diabetes, bem como estabelece o prazo máximo -- até o dia 14 deste mês – para que as farmácias conveniadas se adaptem às novas regras.

De acordo com o Ministério da Saúde, o orçamento anual do programa Aqui Tem Farmácia Popular é de R$ 470 milhões, e o impacto dessa nova medida será definido com base nas informações do sistema de gerenciamento do programa.

Presente em mais de 2,5 mil municípios, o programa Farmácia Popular foi criado em 2004 com o objetivo de oferecer medicamentos essenciais a um baixo custo para a população, melhorando o acesso e beneficiando uma maior quantidade de pessoas. Os medicamentos podem ser adquiridos na rede “Aqui Tem Farmácia Popular”, onde o cidadão deve apenas apresentar um documento com foto, CPF e a receita médica para ter acesso ao benefício.

Dilma estreia programa de rádio Café com a Presidenta

Dilma estreia programa de rádio Café com a Presidenta

FOTO: Roberto Stuckert Filho

Dilma estreia programa de rádio Café com a Presidenta

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07.02.2011

O Café com a Presidenta trata, em seu programa de estréia, da distribuição gratuita de remédios para diabetes e hipertensão. A presidenta Dilma Rousseff lembra que essas são duas das doenças que mais matam no Brasil. Ela vê o acesso aos tratamentos de saúde e a melhoria das condições de vida da população como parte do combate à miséria.

Apresentador: Oi gente, eu sou o Luciano Seixas e estamos hoje estreando o Café com a Presidenta, uma conversa semanal que teremos toda a segunda-feira com a presidenta Dilma Rousseff. Olá, presidenta. Bem vinda ao nosso Café.

Presidenta: Olá, Luciano, tudo bem?

Apresentador: Tudo.

Presidenta: É uma alegria, viu, Luciano, começar hoje o Café. Eu gosto muito de falar no rádio, porque ele chega aos lugares mais distantes. E as pessoas podem escutar os programas e continuar o que estão fazendo. Eu quero fazer deste Café um ponto de encontro entre mim e o povo brasileiro. Toda semana, Luciano, eu quero ter uma conversa com você e com os amigos e as amigas que estão me ouvindo, sobre o nosso país. Falar do que temos feito e falar também do que pretendemos fazer para melhorar a nossa vida e discutir os desafios que certamente vão aparecer.

Apresentador: Presidenta Dilma, a senhora anunciou essa semana a gratuidade dos medicamentos para hipertensão e diabetes. A notícia foi recebida com entusiasmo por muita gente porque esses medicamentos saem caro. Representam um sacrifício grande, não é?

Presidenta: É verdade. Nós sabemos, Luciano, que muitas pessoas morrem ou desistem do tratamento. E nem vão ao médico porque não têm dinheiro para comprar remédio. E as doenças, muitas vezes, são consequências de uma vida muito dura. É por isso que a partir de agora nós vamos distribuir de graça os remédios para as pessoas com hipertensão e para as pessoas com diabetes. Você sabe, os medicamentos são o item que mais pesa no bolso das famílias mais pobres. Uma parte bem maior da renda da população mais pobre é gasta com remédio, enquanto que para os ricos, essa despesa pesa bem menos. Por isso o meu compromisso com a erradicação da miséria passa pelo programa "Saúde Não Tem Preço".

Apresentador: E o bom é que qualquer pessoa vai poder receber esses remédios de graça, sem burocracia.

Presidenta: Exatamente, Luciano. Por exemplo, você que está nos ouvindo e precisa, poderá receber de graça o seu remédio para hipertensão ou para diabetes nas farmácias perto de sua casa que tenha uma plaquinha escrita "Aqui tem Farmácia Popular". Basta que tenha a receita de seu médico. O que nós queremos é que todas as pessoas que tenham diabetes ou tenham hipertensão façam o tratamento completo, sem parar. Por isso o remédio vai ser de graça. Nós vamos começar a distribuir os remédios de graça a partir do dia 14 de fevereiro, a próxima segunda-feira.

Apresentador: Presidenta, a gente sabe que várias outras doenças fazem parte do programa "Aqui tem Farmácia Popular". Porque, então, o remédio de graça para quem tem diabetes e hipertensão – a chamada pressão alta?

Presidenta: Ah! É porque essas são as doenças que atingem o maior número de brasileiros e brasileiras. Estão entre as que mais matam no Brasil. Quarenta milhões de pessoas no Brasil ou têm diabetes ou tem hipertensão, e algumas têm as duas doenças combinadas. Aliás, a hipertensão é a maior causa das mortes por derrame cerebral. E o pior: muita gente nem sabe que tem pressão alta ou diabetes. Agora, como sabemos que essas doenças são perfeitamente controláveis se forem tratadas, a minha preocupação é que as pessoas tenham acesso ao tratamento.

Apresentador: Então, ouvinte, você já sabe: a partir de segunda-feira que vem, dia 14, se você é portador de hipertensão ou diabetes, poderá pegar o medicamento nas farmácias credenciadas.

Presidenta: Isso mesmo. É só procurar uma farmácia ou drogaria que tenha a plaquinha "Aqui tem Farmácia Popular" e receber o seu remédio mediante a apresentação da sua receita médica e do comprovante da sua identidade.

Apresentador: Agora, além de diabetes e da hipertensão, permanecem os descontos para outros medicamentos, não é mesmo?

Presidenta: É claro, viu Luciano, que os descontos vão permanecer. Hoje mais de 1 milhão de pessoas recebem remédios com grandes descontos nas farmácias do programa "Aqui tem Farmácia Popular". São remédios para tratamento de asma, colesterol alto, rinite, Mal de Parkinson, osteoporose e glaucoma. Até é bom que se diga, nas farmácias "Aqui tem Farmácia Popular" também você tem acesso a fraldas geriátricas com grandes descontos.

Apresentador: Presidenta, obrigado por trazer ao nosso primeiro Café informações sobre a distribuição gratuita de remédios para hipertensão e diabetes, tão importante para a vida de milhões de brasileiros.

Presidenta: Olha, Luciano, eu estou muito feliz por conversar sobre isso aqui, com vocês, no Café com a Presidenta. Agora tem uma coisa, e eu quero dizer isso para o amigo e para a amiga que estão nos escutando. Eu não quero voltar aqui para dizer que aumentou o número de pacientes que compram remédios, porque o melhor é não ficar doente. O mais importante é você, amigo e amiga que me ouvem, cuidar da saúde, ter uma boa alimentação, fazer exercícios físicos. Quem usa esses medicamentos para diabetes e hipertensão sabe que a receita médica tem um prazo de validade. É importante voltar ao médico.

Apresentador: Obrigado, então, presidenta Dilma Rousseff, por essa primeira conversa, e até a próxima semana.

Presidenta: Olha, Luciano, obrigada você, e um abraço aos ouvintes que estão nos escutando.

Dilma visitou Alencar no hospital em São Paulo

Durante 20 minutos, a presidenta Dilma Rousseff permaneceu com o ex-vice-presidente José Alencar, nesta quinta-feira (10/2), no Hospital Sírio-Libanês, região central de São Paulo, onde Alencar está internado por causa de uma perfuração no intestino. A presidenta Dilma chegou ao hospital no fim da manhã de helicóptero.

No encontro, Dilma e Alencar conversaram sobre amenidades. A presidenta também conversou com os médicos que atendem o ex-vice-presidente. O secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, participou da visita.

Alencar foi internado na UTI do Sírio-Libanês, ontem (9/2), por volta das 14h, com peritonite – inflamação no peritônio, membrana que reveste as paredes do abdômen – causada por uma perfuração no intestino. Em entrevista os médicos que atendem o ex-vice-presidente descartam qualquer intervenção cirúrgica neste momento.

O ex-vice-presidente havia deixado o hospital no último dia 25 de janeiro para receber homenagem no aniversário de São Paulo, depois de 33 dias de internação. Foi o último encontro de Alencar com Dilma, que entregou a ele a medalha de “25 de Janeiro”, no prédio da prefeitura paulista. No dia seguinte à solenidade, ele recebeu uma autorização da equipe médica do hospital para permanecer em casa.

De São Paulo, a presidenta Dilma retorna para Brasília onde cumpre agenda de trabalho, nesta tarde, no Palácio do Planalto. À noite esta previsto o comparecimento da presidenta na cerimônia comemorativa aos 31 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), no Teatro dos Bancários, na Asa Sul de Brasília.

Dilma: educação é um desafio para todo o país

Dilma: educação é um desafio para todo o país

FOTO: Roberto Stuckert Filho

Dilma: educação é um desafio para todo o país

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11.02.2011

A presidenta Dilma Rousseff, em pronunciamento de cerca de seis minutos em rede nacional de emissoras de rádio e televisão, destacou que “a luta mais obstinada do meu governo será o combate à miséria”. Tendo como tema central a educação, a presidenta Dilma lembrou, no início do pronunciamento, o período de volta às aulas vivido no Brasil. Partindo deste ponto, a presidenta frisou que estava diante da sociedade “para reafirmar o meu compromisso com a melhoria da educação e convocar todos os brasileiros e brasileiras para lutarmos juntos por uma educação de qualidade”.

“Vivemos um momento especial de nossa história. O Brasil se eleva, com vigor, a um novo patamar de nação. Temos, portanto, as condições e uma imensa necessidade de darmos um grande salto na qualidade do nosso ensino. Um desafio que só será vencido se governo e sociedade se unirem de fato nesta luta, com toda a força, coragem e convicção.”

Leia aqui a íntegra do pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff.

E, para isso, segundo afirmou, “nenhuma área pode unir melhor a sociedade que a Educação”. “Nenhuma ferramenta é mais decisiva do que ela para superarmos a pobreza e a miséria. Nenhum espaço pode realizar melhor o presente e projetar com mais esperança o futuro do que uma sala de aula bem equipada, onde professores possam ensinar bem, e alunos possam aprender cada vez melhor. É neste caminho que temos que seguir avançando com passos largos”, disse no pronunciamento.

A presidenta explicou também que o momento é para se “investir ainda mais na formação e remuneração de professores, de ampliar o número de creches e pré-escolas em todo o país, de criar condições de estudo e permanência na escola, para superar a evasão e a repetência”. E continuou: “E, muito especialmente, acabar com essa trágica ilusão de ver aluno passar de ano sem aprender quase nada.”

No pronunciamento, a presidenta destacou o caminho que o governo pretende trilhar como a oferta de mais escolas técnicas, de ampliar os cursos profissionalizantes, de melhorar o ensino médio, as universidades e aprimorar os centros científicos e tecnológicos de nível superior.

“É hora de acelerar a inclusão digital, pois a juventude brasileira precisa incorporar, ainda mais rapidamente, os novos modos de pensar, informar e produzir que hoje se espalham por todo o Planeta. Em suma, esta é a grande hora da Educação brasileira. Isso só será possível se cada pai, cada aluno, cada professor, cada prefeito, cada governador, cada empresário, cada trabalhador tomar para si a tarefa de acompanhar, discutir, cobrar, propor e construir novos caminhos para a nossa Educação. Como presidenta, como mãe e avó, darei tudo de mim para liderar esse grande movimento.”

Dilma Rousseff anunciou que ainda neste trimestre será lançado o Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica, o Pronatec, que, entre outras vantagens, levará ao ensino técnico a bem-sucedida experiência do ProUni. Estamos também acelerando, segundo afirmou, a implantação do Plano Nacional de Banda Larga, não só para que todas as escolas públicas tenham acesso à internet como, também, para que, no médio e longo prazos, a população pobre possa ter internet em sua casa ou no seu pequeno negócio a preço compatível com sua renda.

Ao mesmo tempo, conforme explicou, o governo está tomando medidas para corrigir e evitar falhas no Enem e no Sisu. Ela disse que “é fundamental aperfeiçoar e aumentar a credibilidade destes instrumentos, que são muito importantes na avaliação do aluno e da escola e, portanto, na melhoria da qualidade do ensino”.

Ao concluir o pronunciamento, a presidenta explicou a “que a luta mais obstinada do meu governo será o combate à miséria”. Isso significa, pontuou, fortalecer a economia, ampliar o emprego e aperfeiçoar as políticas sociais. Isso significa, em especial, melhorar a qualidade do ensino, pois ninguém sai da pobreza se não tiver acesso a uma educação gratuita, contínua e de qualidade. Nenhum país, igualmente, poderá se desenvolver sem educar bem os seus jovens e capacitá-los plenamente para o emprego e para as novas necessidades criadas pela sociedade do conhecimento.

Ela explicou também o novo slogan de seu governo: “País rico é país sem pobreza. Este será o lema de arrancada do meu governo. Ele está aí para alertar permanentemente a nós, do governo, e a todos os setores da sociedade, que só realizaremos o destino de grandeza do Brasil quando acabarmos com a miséria.”

“Sem dúvida, essa é uma tarefa para toda uma geração. Mas nós temos determinação para realizar a parte importante que falta, para que a única fome neste país seja a fome do saber, a fome de grandeza, a fome de solidariedade e de igualdade. E para que todos os brasileiros possam fazer da educação a grande ferramenta de construção do seu sonho. Muito obrigada e boa noite.”

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Prefeitura anistia imóvel irregular da família Kassab

FABIO LEITE – ESTADÃO
O imóvel que pertence à construtora da família do prefeito Gilberto Kassab (DEM) teve uma área irregular anistiada pela Prefeitura cerca de dois anos após o pedido de regularização haver sido rejeitado e o prazo para recurso, vencido. Pela lei, os responsáveis pelo prédio deveriam ter sido multados e o local, fechado. Mas documentos obtidos pelo Jornal da Tarde revelam que, em agosto de 2008, quando Kassab já havia sido empossado, o processo foi considerado extraviado, reconstituído e aprovado em nove dias. A assessoria do prefeito informou que a regularização “atendeu integralmente a legislação vigente”. No local funciona a Yapê Engenharia, que tem como sócios Kassab (com 80% do capital da empresa) e três irmãos. O nome da companhia é resultado da união das iniciais dos pais do prefeito, Yacy e Pedro. Dos 309,82 m² de área construída, apenas 80 m² estavam regulares em outubro de 2003, durante a gestão Marta Suplicy (PT). Kassab, então, deu entrada no requerimento para regularizar 229,82 m², com base na Lei de Anistia, que beneficiava construções concluídas irregularmente até 13 de setembro de 2002. À época, a empresa chamava-se R&K Engenharia, uma sociedade entre Kassab e o amigo e advogado Rodrigo Garcia. Naquele ano o atual prefeito era deputado federal e Garcia, estadual, ambos pelo PFL (hoje DEM). Garcia deixou a sociedade em 2007 – hoje ele é deputado federal. Os dois assinaram o pedido de regularização enviado à Subprefeitura da Vila Mariana, responsável por avaliar imóveis de até 1,5 mil m² na região.
Pedido negado
Em 8 de março de 2006, o pedido foi indeferido pela subprefeitura pelo “não atendimento ao comunique-se”, ou seja, abandono do processo. Kassab, então vice-prefeito, teve 60 dias, conforme a lei, para pedir reconsideração do despacho, mas não o fez. O indeferimento final foi publicado em junho e o processo, arquivado. A partir daí, pela Lei 13.885/04, a Prefeitura deveria emitir um auto de infração, lançar a área como irregular, aplicar multa e lacrar o imóvel, mas nada disso foi feito. Em 30 de agosto de 2007, a Secretaria de Habitação (Sehab), comandada por Orlando Almeida, atual secretário de Controle Urbano, pasta que fiscaliza imóveis irregulares, pediu a íntegra do processo à subprefeitura. A papelada ficou engavetada na Sehab por quase um ano no Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov), embora a análise do caso fosse atribuição da subprefeitura – a Sehab cuida de imóveis com mais de 1,5 mil m² para uso comercial, como a empresa de Kassab.
‘Extravio’
Em 13 de agosto de 2008, durante as eleições municipais, a Comissão Permanente de Processos Extraviados (CPPE), subordinada à Secretaria de Gestão, declarou o processo da Yapê Engenharia extraviado. No dia seguinte, a seção técnica do órgão publicou memorando relatando que o processo foi “parcialmente reconstituído” e o encaminhou novamente à Sehab. No dia 22 de agosto, o Aprov 2, que analisa edifícios comerciais acima de 1,5 mil m², informou que o processo foi “considerado em ordem para aprovação”. No mesmo dia, a diretora substituta do Aprov-G à época, Lúcia de Sousa Machado, publicou despacho expedindo o auto de regularização da empresa de Kassab.
‘Dentro da lei’
Em nota enviada por e-mail, a assessoria de imprensa de Kassab informou que o processo de regularização do imóvel que pertence a uma construtora da família dele “atendeu integralmente a legislação vigente.” Segundo a nota, o pedido de anistia para o imóvel “foi protocolado pelo contribuinte em outubro de 2003, com base na Lei da Anistia” e “a aprovação seguiu rigorosamente a lei específica, estando todos os tributos incidentes sobre o imóvel, cuja titularidade é de empresa legalmente constituída e gerida por administradores eleitos nos termos do Código Civil, em dia.” Procurado na sede da Yapê Engenharia, na Saúde (zona sul), o administrador da empresa, Carlos Alberto Fonseca, disse desconhecer o caso e que não falaria com a reportagem. Já a arquiteta Lúcia de Sousa Machado, que deferiu o pedido de regularização em agosto de 2008, recusou-se a falar sobre o assunto. “Servidor público não pode dar entrevistas”, disse por telefone.

Dilma fará acordo na área de energia nuclear com Argentina

Na visita à Argentina, na próxima segunda-feira, a presidente Dilma Rousseff firmará acordos em áreas de seu interesse direto: energia e habitação. Esta é a primeira viagem de Dilma ao exterior desde a posse e representa o primeiro encontro entre duas presidentes mulheres dos países. Dilma e a presidente argentina Cristina Kirchner assinarão uma proposta para construção de reatores de pesquisa para energia nuclear, que devem ficar prontos em cinco anos. Também há previsão de acordo na área de biocombustíveis e para construção da Hidrelétrica de Garabi, na fronteira entre Argentina e o estado do Rio Grande do Sul, e da Ponte sobre o Rio Peperi-Guaçu, entre a Argentina e o estado de Santa Catarina. Os projetos são de longo prazo. O governo brasileiro também pretende disponibilizar ao país vizinho o modelo do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. O convênio será firmado entre a Caixa Econômica Federal e o Ministério do Planejamento da Argentina. Não há previsão de financiamento de casas por parte da Caixa.
Comércio – Segundo o governo federal, o volume anual de comércio Brasil-Argentina é da ordem de 33 bilhões de dólares, o que representa um crescimento de mais de 1000% em 20 anos. Entre 80 e 90% das relações comerciais são de produtos manufaturados. No período de 2002 a 2007, 40 empresas brasileiras investiram 15 bilhões de dólares no país vizinho. Apesar da intensificação das relações, o governo argentino está preocupado com o déficit do país com o comércio brasileiro. De acordo com o Subsecretário-Geral da América do Sul, Central e do Caribe, embaixador Antonio José Ferreira Simões, o desequilíbrio será passageiro. “Temos que ter mais comércio, mas as coisas vão se encaminhar ao equilíbrio”. Para conquistar novos mercados, os países pretendem vender produtos de forma conjunta, principalmente na área agrícola. Também há previsão de criação de um Fórum de Altos Executivos Brasil-Argentina, que teria a função de levar o pensamento empresarial aos governos dos países. (Luciana Marques – VEJA, de Brasília)

FSM: CUT levará experiência unitária dos movimentos sociais de combate à crise

A capital do Senegal, Dakar, sedia de 6 a 11 de fevereiro a edição centralizada do Fórum Social Mundial. Neste ano, o evento tem como foco principal a melhoria das condições de vida e trabalho no continente africano, em meio ao agravamento da crise financeira internacional e à sucessão de levantes populares por democracia, como na Tunísia e no Egito. Entre os objetivos do Fórum, explica João Felício, secretário de Relações Internacionais da CUT, está o de potencializar as propostas e a capacidade de mobilização dos movimentos sociais africanos para que possam construir um espaço de desenvolvimento acordado de alternativas à globalização neoliberal e definir estratégias de reconstrução social, econômica e política, incluindo a redefinição do papel do Estado. “Ao longo dos seus dez anos de existência o Fórum demonstrou ser um espaço importante e que deve ser valorizado para construirmos consensos que apontem para ações unitárias de enfrentamento ao neoliberalismo. Não há no Fórum um Comitê Central que estabelece a agenda, ela é resultado de uma consulta ampla entre o conjunto dos movimentos que apontam os caminhos a seguir. É nisto que reside a sua capacidade e sua força”, aponta João Felício. De acordo com o dirigente cutista, a experiência histórica acumulada no Brasil, de unidade de centrais sindicais e dos movimentos sociais, embora não seja a única em escala planetária, “é uma referência para o mundo, assim como nossa experiência de programas de transferência de renda e os avanços no diálogo social, como a conquista da política de valorização do salário mínimo, fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação”.
A CUT e suas confederações, explicou João Felício, estarão mais uma vez presentes com uma expressiva delegação em solo africano, levando às organizações do continente as mais variadas experiências de articulação e mobilização dos movimentos sindical e social em defesa do protagonismo do Estado e de políticas públicas que garantam direitos, gerem emprego e distribuam renda. “Em suma, o avesso do receituário do neoliberalismo”, frisou. O fortalecimento da economia solidária, dos trabalhadores migrantes e da paz, a organização da luta contra as bases militares estrangeiras, o apoio ao povo palestino no enfrentamento à política de terrorismo de Estado israelense e a solidariedade ao povo cubano também são bandeiras que os cutistas erguerão no encontro, ressaltou. “Diante dos desafios colocados pela conjuntura internacional e da complexidade do momento, acredito que o Fórum tem uma responsabilidade histórica inadiável”, declarou. A Confederação Sindical Internacional (CSI) realizará um evento na capital senegalesa no dia 9 de fevereiro para dar maior visibilidade à pauta dos trabalhadores no enfrentamento à crise, como a reformulação dos organismos internacionais e a ação junto aos governos locais para que se contraponham ao receituário neoliberal, de privatização e arrocho salarial. CUT (www.cut.org.br)

Lula é o político mais atacado pela mídia desde 1989

Eduardo Guimarães: Você, estudante de jornalismo, de comunicação social, de ciências sociais, enfim, de tantas áreas afeitas ao estudo ou à prática da comunicação de massa, se estiver terminando seu curso universitário e tiver um trabalho de conclusão a apresentar, tem agora uma oportunidade imperdível de fazer o estudo mais eloqüente já feito sobre comunicação.
É tão evidentemente necessário, o estudo que irei propor, que não sei como não foi feito antes – e duvido de que tenha sido feito, ao menos da forma como será apresentado. Entretanto, se alguém tiver notícia sobre algum estudo correlato, que, por favor, informe aqui, via comentário.
No último domingo, discorri sobre os programas humorísticos da Globo e sobre o uso desses programas para atacar alguns políticos em benefício de outros, transformando uma concessão pública de televisão em arma político-partidária – o que a lei veda, mas não coíbe em razão do poder político de impérios de comunicação como uma Globo.
Logo apareceram os defensores dos pobres Barões da Imprensa para defendê-los da “sanha comunista” que pretenderia “censurá-los”, apesar de que são os únicos que já colaboraram com a censura neste país e que, aliás, praticam-na cotidianamente ao impedirem que o contraditório à sua retórica político-ideológica chegue ao seu público.
No post em questão, abordei o impressionante uso que a Globo vem fazendo de seus programas humorísticos para atacar Lula, seja no falecido Casseta & Planeta ou no humorístico da emissora que restou e que continua indo ao ar nas noites de sábado, o Zorra Total.
Não é que apareceu gente afirmando que Lula está sendo tão intensamente ridicularizado pelos programas humorísticos da Globo, entre outros, porque o “poder” é sempre alvo do humorismo?
Vejam só a que ponto chega a desfaçatez. Desde quando Lula continua no poder? Ele deixou de ser presidente no primeiro dia deste ano, ora bolas!, o que não impede que continue sendo ridicularizado, agora por estar aposentado, como se viu no post anterior.
Quando, em que época, um programa humorístico brincou com o complexo de D. Juan do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso assim como tantos programas “brincaram” com o mentiroso alcoolismo de Lula?
Pelo contrário, a mídia escondeu, por dezoito anos, o produto mais famoso das famosas “escapadas” sexuais de FHC, com uma jornalista da Globo que a emissora sustentou na Espanha sem trabalhar por quase duas décadas, ao menos, e que só veio a público pela Folha de São Paulo porque esta queria acusar Lula de ser um maníaco sexual – vide o caso “Menino do MEP” – e, assim, justificou com o caso extraconjugal de FHC o ataque sórdido que fez a Lula.
Alguém consegue conceber um quadro humorístico na Globo que vulgarizasse a imagem da ex-primeira-dama tucana, a falecida antropóloga Ruth Cardoso, mesmo quando estava viva? Seria impensável fazerem o que vêm fazendo com D. Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Lula, ridicularizada reiteradamente por toda a grande mídia.
Mas isso tudo ainda não é o pior. Lula também era o alvo político preferencial de toda a grande mídia quando estava na oposição. Quem não se lembra dos quadros humorísticos todos que ironizavam sua falta de instrução formal, seu linguajar e, até, a sua aparência física?
O senso comum certamente mostra que o ex-presidente petista é o político mais atacado pela mídia nos últimos vinte e dois anos, ao menos. Desde 1989, nenhum outro político foi tão criticado ou ridicularizado quanto Lula, estando no poder ou fora dele. E é aí que entra a necessidade de comprovação científica dessa tese.
Apesar de nem ser necessário fazer qualquer estudo para comprovar o que todo mundo haverá de concordar, se tiver um mero resquício de honestidade intelectual, a formalidade científica certamente resultará em outro necessário trabalho acadêmico, desta vez sobre a causa de Lula ter se transformado no político mais odiado pela mídia em toda a história.
Então, jovem estudante, você tem a chance de fazer o estudo mais espantoso, em termos sociológicos e jornalísticos, que já foi feito. Comprovará que, apesar do sucesso estrondoso de Lula como político e administrador, os meios de comunicação de massa simplesmente se obcecaram por destruí-lo politicamente.

Governo Dilma deve valorizar mais direitos humanos na política externa, diz ONG

O governo de Dilma Rousseff deve reavaliar a política externa brasileira, dando um peso maior aos direitos humanos, disse nesta segunda-feira o diretor para América Latina da organização Human Rights Watch, José Miguel Vivanco.

"Esperamos que o governo da presidente Dilma Rousseff possa mostrar uma mudança no que tem sido até agora a política externa brasileira", disse Vivanco, durante o lançamento do relatório mundial da entidade, em Washington.

"Uma política externa que se caracterizou durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por deixar em segundo plano as preocupações em matéria de direitos humanos", afirmou.

Segundo o diretor da organização de defesa dos direitos humanos, Dilma já demonstrou "sinais de preocupação e de alguma mudança" nessa questão.

"Houve declarações ao diário The Washington Post, onde ela disse claramente que não está de acordo com a política externa brasileira, especificamente no caso do Irã e das posições que o governo Lula manteve em relação aos direitos das mulheres nesse país", afirmou Vivanco, referindo-se a uma entrevista publicada pelo jornal americano no mês passado na qual Dilma se disse contra a sentença de apedrejamento da iraniana Sakineh Ashtiani.

"Tomara que isso permita que o Brasil faça uma reavaliação de sua política externa e se converta em um aliado na causa dos direitos humanos em nível global quando se trata de avaliar a situação de direitos humanos em outras partes do mundo."

Vivanco citou ainda a condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso do desaparecimento forçado de pessoas durante a Guerrilha do Araguaia, de 1972 a 1974, e as declarações públicas do governo brasileiro de que não iria cumprir a decisão do tribunal.

No mês passado, a Corte determinou que a Lei de Anistia, de 1979, não pode ser obstáculo para a investigação dos fatos e a punição dos responsáveis.

RELATÓRIO

Em seu relatório sobre a situação dos direitos humanos no mundo, a Human Rights Watch voltou a criticar as "práticas abusivas" que seriam cometidas por alguns policiais no Brasil e diz que o governo de Dilma pode "influenciar de maneira positiva" o que ocorre nos diferentes Estados brasileiros.

"No Brasil, os problemas de abusos policiais se transformaram quase em problemas crônicos. São muitos anos de violência, de corrupção, de atrocidades com impunidade, cometidas pelas polícias no Brasil, especialmente no Estado do Rio, mas também em São Paulo", disse Vivanco.

O diretor citou a presença militar no Rio, para apoiar as ações policiais nas favelas, como uma oportunidade de melhorar a segurança.

"Acreditamos que há uma oportunidade, uma direta vinculação entre o governo federal e os problemas de segurança que se estão registrando no Rio, e esperamos que se possa melhorar a segurança sem violar direitos fundamentais", disse.

O relatório diz que alguns casos não são devidamente investigados.

No entanto, o documento cita alguns avanços, como o fato de o procurador-geral de São Paulo ter estabelecido que todos os casos envolvendo suposto abuso policial sejam investigados por uma unidade especial do Ministério Público.

O relatório cita também as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) instaladas em favelas no Rio desde 2008, mas afirma que o Estado "ainda não tomou as medidas adequadas para assegurar que os policiais que cometem abusos sejam responsabilizados".

FALA MANSA

A Human Rights Watch critica ainda em seu relatório governos que "usam fala mansa com violadores de direitos humanos" e substituem a pressão por "abordagens mais suaves, como diálogo privado e cooperação".

O relatório cita principalmente países da UE (União Europeia) e os Estados Unidos, além de fazer críticas ao Conselho de Direitos Humanos da ONU por ser "tímido" com muitos países que violam direitos humanos.

Entre os exemplos mencionados no documento estão a "abordagem obsequiosa da UE com o Uzbequistão e o Turcomenistão", a reação branda a certos "autocratas africanos", como Paul Kagame, de Ruanda, e Meles Zenawi, da Etiópia, e "a covardia quase universal em confrontar a repressão crescente contra as liberdades básicas na China".

"O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aumentou seu foco sobre os direitos humanos no segundo ano de seu mandato, mas suas declarações eloquentes nem sempre têm sido acompanhadas de ações concretas", diz a Human Rights Watch.

"Fazemos um chamado ao governo Obama, aos governos da União Europeia e a outros que dizem estar interessados na promoção dos direitos humanos como parte de sua política externa que reavaliem essas práticas, entendendo que nem sempre a diplomacia silenciosa produz resultados", disse Vivanco.

"É necessário acompanhá-la de uma estratégia que permita aumentar a pressão para conseguir progressos nessa questão."